Recentemente, em sua última reunião, o Copom reduziu a taxa básica de juros à 6,5% ao ano, a menor taxa em 21 anos. Este processo de redução da taxa iniciou em 1998; desde então, as taxas de juros passaram a ser fixadas na expressão anual, tornando mais fácil a compreensão pela população leiga no assunto.

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Contudo, não estamos sentindo esta redução nas taxas de juros para os empréstimos, tanto para pessoa jurídica quanto para pessoa física. Isto se deve a uma soma de fatores que impede que esta queda seja mais acelerada, vamos conhecer alguns deles:

  • Concentração no sistema financeiro nacional. Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal e Santander respondem, juntos, por R$ 4 de cada R$ 5 movimentados no país.
  • Spread Bancário. A diferença entre o custo do dinheiro para o banco e o quanto ele cobra para o consumidor na operação de crédito é muito grande. Podemos citar o exemplo de um banco de mercado que capta dinheiro a 10% ao ano e empresta esse dinheiro a 100% ao ano.

E temos ainda uma elevada taxa de inadimplência que encarece ainda mais os custos do sistema financeiro nacional. Entretanto, é preciso manter a onda de crescimento econômico, iniciada no final do ano passado. Para isso devemos nos atentar a alguns elementos básicos, como a reforma da previdência. Os gastos com o sistema de benefícios são muito elevados para um país jovem como o Brasil. Hoje, estes gastos representam 12% do PIB, e por isso a reforma da previdência afeta diretamente no crescimento econômico.

Outra questão é a revisão dos gastos públicos. Ela é de extrema urgência para conter o crescimento da dívida pública, e ao mesmo tempo, reduzir o crescimento da desigualdade social no país, que continua elevada.

Para dar continuidade a este crescimento
é preciso compreender o cenário brasileiro
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De acordo com a Organização para Crescimento e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil apresenta uma economia muito fechada e o comércio exterior ficou pouco acima dos 20% nos últimos 10 anos. Por isso que, nesse caso, sugere-se reduzir as exigências de conteúdo local e cortar as tarifas de importação. É importante atentar que todos estes fatores influenciam para que a baixa da taxa Selic ainda não tenha sido sentida em nossos bolsos.

Por fim, percebemos que precisamos atualizar e modernizar uma defasada política monetária nacional, com o intuito de fomentar o crédito barato para as empresas e dar continuidade ao movimento de crescimento econômico iniciado em 2017.

 

 

 

Everton Tonoli,
consultor de vendas